E ai, regulariza nossa profissão ou não ?

at 12/11/2008
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Pedro Mendes

Essa discussão ainda esta gerando muito bafafá entre as listas de emails. Na lista java-br mesmo surgiu (novamente) o tema. Confesso que fico preocupado mais em ver as esperanças de um mundo melhor na área tecnológica brasileira do que com a lei em si.

Minha idéia sobre esse assunto é a mesma que alguns sobre certificação: será mais um papel que funciona como uma linha imaginária para ficar prendendo a atenção de pessoas que ainda lutam por algum reconhecimento no mercado. Não que todos que tenham ou almejam ter uma certificação (seja na área que for) são profissionais ruins, mas os realmente bons sabem que possuem experiência o suficiente para mostrar suas capacidades sem depender dos canudos.

Acho utopia a idéia de que com a regulamentação teremos melhores profissionais pelos simples fato deles ter uma faculdade concluída e pertencerem a algum sindicato. Não só pela fraca qualidade da "maioria das faculdades da maioria das pessoas", mas pela mentalidade de que um rolo de papel vai ser o Messias para essa bagunça.

É óbvio que com a regulamentação, os profissionais terão mais burocracia e taxas pra pagar. Mesmo que seja montado um sindicato que faça alguma coisa, ainda sim a mentalidade em muitos será "preciso conseguir a matrícula no sindicato X" com a idéia de que isso os tornou grandes profissionais.

Com a deficiência que a empresas tem de mão de obra qualificada, o mercado ainda continuará incluindo péssimos profissionais em detrimento dos bons profissionais. E essa idéia de que o governo irá fiscalizar as contratações feitas pelas empresas permitindo somente a entrada de profissionais regularizados pode até funcionar nas grandes empresas, mas nas pequenas e médias ainda sim os geeks "desregularizados" estarão lá, mesmo com a carteira de trabalho assinada como "ajudante-geral-de-serviços-de-informática" (enquanto na verdade ele estará resolvendo problemas de escalabidade no principal sistema da empresa). Infelizmente a realidade é assim

Os bons profissionais sempre terão boas oportunidades, com regularização ou não. Sei que é chato pensarmos em pagar alguma coisa a algum órgão para ele simplesmente dizer que você sabe o que sabe, mas o mercado brasileiro gosta disso. Para reafirmar isso me aproprio de um pequeno trecho escrito pelo Vinícius Teles da Improve It:

Do ponto de vista comercial, aqui no Brasil, a certificação é uma jogada de mestre. As pessoas buscam, cada vez mais, todo tipo de selinho que puderem encontrar no mercado para colocar em seus currículos. É uma cultura insana, mas absolutamente pervasiva. Vai de pessoas a empresas.

Fonte: http://blog.improveit.com.br/articles/2007/12/19/novos-rumos-em-2008


O Vinícius resumiu tudo: certificação é uma jogada de mestre. E assim como certificação o é, será também a carteirinha do sindicato. E você possivelmente verá bons profissionais ignorando completamente a regulamentação, bons profissionais se regularizando pra continuarem empregados e profissionais com qualidades questionáveis colocando a carteirinha em uma moldura na parede do quarto.

Max Gehringer e sua opinão sobre o profissional de TI no futuro

at 03/10/2008
tagged as #Carreira
Pedro Mendes

A ComputerWorld publicou uma entrevista com Max Gehringer sobre sua visão do profissional de TI do futuro. Embora meio óbvia, destaca como as empresas devem se posicionar para conseguir manter algum empregado de TI nos próximos anos.

Infelizmente a ComputerWorld não permite o sharing total/parcial de seus textos (no donuts for u), portanto, o máximo que posso fazer é deixar o link.

Dinheiro não é tudo

at 13/09/2008
tagged as #Carreira
Pedro Mendes

Em pleno século XXI, eu, cidadão das Américas (ainda que do Sul), venho com esse papo mole de que dinheiro não é tudo. Sei que a proposta do post não é nova, mas sei também que tem muita gente que vai concordar comigo que dinheiro não é tudo.

Nós como meros desenvolvedores que somos por vezes somos a menor parte do processo de desenvolvimento de um software ( que paradoxo não ?). Constantemente trabalhamos sobre pressão, com prazos apertados, especificações falhas e com legados de softwares que sofremos pra manter. Mas se é tão ruim assim, por que continuamos ? Simples: porque amamos desenvolver software. Achamos mágico construir soluções que acelerem o processo de comunicação entre os seres humanos, sejam eles quem forem. Gostamos de bits, patterns, miracle driven developments, aprender coisas novas pra agilizar os processos e por ai vai.

Por isso nos envolvemos muito com o nosso trabalho. Saimos da empresa onde trabalhamos e vamos pra casa fazer o que ? Programar ou estudar programação ainda mais - e isso normalmente invade nossos finais de semana. Por essa razão não é difícil imaginar que nos envolvemos e muito com o que fazemos, já que fazemos por que somos apaixonados por isso.

E o que acontece quando percebemos que no ambiente onde trabalhamos existem processos ruins, que podiam ser otimizados mas que por "força maior" não os são ? Perdemos nosso humor. Parece que a "inspiração" para programar acabou, perdemos o ânimo para digitar um ponto-e-vígula sequer. Programador que ama o que faz não consegue digerir muito bem essa coisa de "isso é problema da empresa, as 18h vou pra casa tranquilo".

E é ai que entra o titulo do post "Dinheiro não é tudo". Ok, gostamos de dinheiro por que precisamos e por que nos trás conforto, mas dinheiro não compra entusiasmo - muito menos patrimônio intelectual.

Por exemplo, sempre tem aquele papo de que todo programador deve virar gerente de projetos. Por quê ? Simples, porque gerente ganha mais. Mas, e se eu não gostar de ficar "o dia todo de frente pro Project?" (hei isso foi uma piada, por favor ria) E se eu achar graça em outra coisa? E se o que me deixa feliz é digitar um bando de palavras em inglês e apertar o F5 ? (preciso dizer que foi outra piada?). Quem disse que eu estou programando só por dinheiro?

Por isso saiba discernir se você esta construindo o seu futuro simplesmente pelo que vai ganhar ou pelo que vai viver. Não deixe seu prazer em desenvolver softwares da maneira correta enferrujar junto com os processos administrativos da sua empresa. Dinheiro é bom, mas quando a gente morre fica tudo pra um bando de filhos ingratos que não vão saber quantas linhas de código você teve que escrever para consegui-lo. E se você morrer sem filhos, alguma mulher vai acabar gastando sua grana mesmo. (Suellen isso foi só força de expressão tah amor...) Não substitua talento por desculpas. Se quando você esta no trabalho, só fica pensando em ir embora e quando esta em casa fica com aquela sensação de frustação de voltar pra empresa, é melhor você dar uma olhada nesse vídeo aqui.

Ps.: A propósito, a foto do post é do filme A procura da felicidade. Acho que fui o único que achou o filme sensacional do inicio ao fim, mas mesmo assim se você não viu aconselho a fazê-lo.

Dica: The Pragmatic Programmer

at 26/08/2008
tagged as #Carreira #Agile
Pedro Mendes



Vou usar o blog para indicar alguns livros interessantes que tenho tido contato. Embora pareça ser puro "jabá", a idéia é passar pra vocês o que tenho lido e que tem trazido benefícios reais no meu dia-a-dia.

Embora não tenha terminado de ler, tenho gostado muito do The Pragmatic Programmer. É um livro obrigatório, servindo de introdução geral para Refatoração, Source Control, TDD, técnicas DRY, e vários outros recursos que estão de uma forma ou de outra, englobados dentro dos processos ágeis de desenvolvimento.

Além de não ter uma linguagem chata e usar várias analogias interessantes, o livro é realmente prático, traz muitas situações que facilmente encontramos no dia-a-dia.

Things to do...

at 29/07/2008
tagged as #Carreira
Pedro Mendes

Aproveitando um gancho no blog do Guilherme Chapiewski, dei "ctrl+v ctrl+c" em um trecho do livro "The Pragmatic Programmer" que ele publicou:

Learn at least one new language every year.
Different languages solve the same problems in different ways. By learning several different approaches, you can help broaden your thinking and avoid getting stuck in a rut. Additionally, learning many languages is far easier now, thanks to the wealth of freely available software on the Internet.

Read a technical book each quarter.
Bookstores are full of technical books on interesting topics related to your current project. Once you’re in the habit, read a book a month. After you’ve mastered the technologies you’re currently using, branch out and study some that don’t relate to your project.

Read nontechnical books, too.
It is important to remember that computers are used by people—people whose needs you are trying to satisfy. Don’t forget the human side of the equation.

Take classes.
Look for interesting courses at your local community college or university, or perhaps at the next trade show that comes to town.
Participate in local user groups. Don’t just go and listen, but actively participate. Isolation can be deadly to your career; find out what people are working on outside of your company.

Experiment with different environments.
If you’ve worked only in Windows, play with Unix at home (the freely available Linux is perfect for this). If you’ve used only makefiles and an editor, try an IDE, and vice versa.

Stay current.
Subscribe to trade magazines and other journals (see page 262 for recommendations). Choose some that cover technology different from that of your current project.

Get wired. Want to know the ins and outs of a new language or other technology? Newsgroups are a great way to find out what experiences other people are having with it, the particular jargon they use, and so on. Surf the Web for papers, commercial sites, and any other sources of information you can find.



As recomendações acima parecem óbvias, mas até mesmo o óbvio precisa ser definido para ser bem seguido. A fila tem que andar...

Profissional sim, mas, aonde ?

at 22/07/2008
tagged as #Carreira
Pedro Mendes

Semana passada surgiu um debate aqui na 3Jane sobre um problema encontrado por muitas equipes quando se encontra um profissional 'super-star' .

Se você esta acostumado a ler o blog do Phillip Calçado já de ter deparado com o termo 'super-star', que é como ele se refere aos programadores que dominam as ferramentas com que trabalham e por isso têm alguma visibilidade no mercado.


É bem provável que alguns dos leitores deste blog trabalham ou já trabalharam em equipes que tiveram a entrada de um super-star. Ae surge a pergunta: aonde você é um bom profissional ? Na empresa em que trabalhou ou no mercado, de uma forma mais ampla ?


Existem alguns profissionais que são bons nas empresas 'incubadoras' onde eles foram formados. Dominavam todas as regras de negócio, eram verdadeiros dbas-desenvolvedores-gerentes-selecionadores de currículos plênos. Como o dono aqui da empresa costuma dizer, se o cara for atropelado pelo caminhão do leite a empresa tem que parar ( embora ele esqueça que no Brasil não temos caminhão do leite).


É normal para qualquer um que já ocupou uma posição desta ( muito comum em empresas pequenas ) se sentir deslocado ao mudar de empresa. Quando saí da antiga empresa onde trabalhava para vir para a 3Jane me senti assim também. Mas o importante é entedermos que quando estamos em uma empresa nova, estamos lidando com novas regras de negócio, com novas pessoas ( e mentalidades ) e com provavelmente novas tecnologias.


Não é incomum vermos alguns destes profissionais 'super-stars' tentando impor suas formas de trabalhar, criticando tudo e colocando sempre suas formas de pensar e trabalhar como as ideias. Mas a coisa não é bem assim. Como o Rafael DX7 disse durante a nossa conversa aqui na empresa 'esses profissionais costumam lançar suas incapacidades nas pessoas ou rotinas a sua volta'.


Sempre podemos otimizar os processos em nosso ambiente de trabalho - afinal de contas, é assim que nos destacamos. Mas nunca devemos nos esquecer que os processos são formados por pessoas, e que elas são a parte mais importante do sistema. Se essas pessoas não enxergarem que você esta ali para acrescentar, é melhor você repensar seus conceitos ou procurar o telefone da antiga empresa onde trabalhava.

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